Guia do Foca

19 de novembro de 2009

Dossiê Mar de Lama

Filed under: Sem categoria — jorgecardoso @ 19:30

Olá Focas!

Novamente, no mesmo dia em que falei com o jornalista Julio Cezar Garcia, conversamos sobre outra matéria que ele fez, publicada no jornal Movimento. Nela, o jornalista fez um dossiê apontando ao Governo Militar que toda a imprensa apontava corrupção na capital. O governo dizia na época, que apenas a imprensa nanica (pequenos jornais) apontavam corrupção. Os grandes veículos não. Para ajudar a salva o jornal de um processo, Julio organizou um dossiê com recortes de jornais e outras provas.

Abordei Julio da mesma forma que a outra. Foi muito natural nossa conversa. Ocasional e testemunhal, também. Fomos conversando e ele me mostrou fotos e arquivos da época.

Vejam

Quanto à matéria sobre o dossiê, como foi a reação do governo?
Em outubro de 1978, o jornal Movimento tinha publicado uma reportagem em que relacionava 16 casos de corrupção no governo do general presidente Ernesto Geisel.
O temido Conselho de Segurança Nacional (CSN) processou o jornal sob argumento de que só a imprensa nanica enxergava corrupção no governo e que a “imprensa sadia” não falava nisso. Imprensa nanica era uma expressão criada pela ditadura porque os jornais alternativos, de oposição, eram tablóides.

Como era sofrer uma perseguição, um processo, como se diz, estar com a ditadura “na cola”?
Ser processado pelo CSN era ser condenado. E ser condenado na ditadura significava ser fechado. O Conselho de Segurança Nacional era militar, seus processos eram julgados por juízes militares indicados pelos generais ditadores. Não tinha como ganhar processo contra eles.

Você tinha documentos que consolidavam sua matéria?
Eu tinha um arquivo muito bom, com recortes dos jornais Estadão, Folha, Jornal do Brasil e O Globo sobre alguns assuntos que me interessavam: corrupção, conflitos sociais rurais, conflitos urbanos, movimentos populares, etc.
Eu tinha quatro pastas com centenas de recortes só de matérias sobre corrupção na ditadura militar.

Foi com esse capricho de arquivar as notícias que você montou então o dossiê? Como foi a publicação?
Montei o dossiê com todos os casos de corrupção publicados em pequenas notas, meio escondidos nos grandes jornais. E fizemos um caderno que foi publicado como suplemento especial.

Como foi a vendagem de jornais com essa publicação? Para o que serviu além de informar o leitor?
O jornal atingiu sua maior vendagem nessa edição. E o suplemento foi usado como peça de defesa do jornal n CSN. Como o CSN tinha afirmado que só a imprensa nanica via corrupção no governo e eu mostrei notícias dos grandes jornais, não teve como condenar o Movimento. O jornal foi absolvido e pôde continuar circulando.

Houve reconhecimento nacional?
Para minha enorme alegria, no início da década de 1990, o professor de jornalismo Bernardo Kucinski, da Escola de Comunicações e Artes (ECA), publicou sua tese de doutorado sobre a imprensa alternativa no período da ditadura militar. O livro se chama “Jornalistas e Revolucionários – Nos Tempos da Imprensa Alternativa”. No livro, Kucinski destaca o dossiê da corrupção que eu produzi para o Movimento e que acabou por livrar o jornal da condenação.

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