Guia do Foca

20 de novembro de 2009

Medicina alternativa

Filed under: Sem categoria — jorgecardoso @ 13:45

Olá focas!

Vou mostrar para vocês uma entrevista que eu, Rodrigo Valério, fiz quando estava trabalhando no Portal Rural, um programa que ia ao ar todos os domingos, às 10h30, pela Record News.

De posse de todas as informações contidas na pauta sobre acupuntura em animais e um breve histórico dos personagens a ser entrevistados nossa equipe saiu a campo. A primeira entrevista estava marcada para as 8 horas da manhã e o horário combinado deve ser cumprido a risca. É uma forma de conquistar a confiança do entrevistado e demonstrar comprometimento com o trabalho a ser desenvolvido. É claro que os imprevistos acontecem e por conta disso a pauta deve ser completa, constando além de todos os endereços e pontos de referência, todos os telefones dos personagens para que em algum eventual atraso, a equipe de uma satisfação e tranquilize o entrevistado.

Nesse dia nossa equipe foi pontual. Antes de chegarmos ao local da entrevista, é importante que toda a equipe saiba o que será feito. Eramos três: reporter, cinegrafista e assistente. Todos os membros receberam uma cópia da pauta. Contudo, faço questão de ler em voz alta a pauta na integra durante a viagem para que não hajam dúvidas. Traçado o planejamento técnico para a realização da matéria, chegamos à casa da estundate Kamila Barcelar, que já recorreu a acupuntura em animais.
Enquanto eu conversava com a dona da cachorrinha, com o objetivo de saber mais sobre o animal o tipo de problema que ele teve e como foi a descoberta da acupuntura em animais tudo isso em uma conversa em off, ou seja sem que o microfone estivesse ligado, o cinegrafista se encarregava de capturar imagens que chamamos de “imagens de apoio”.

São as imagens do entrevistado enquanto conversa, gesticula, mostra algum detalhe, enquanto se movimenta e nesse caso, enquanto brincava com o animal. Essas imagens servirão para cobrir os off´s da reportagem.

Feitas as imagens de apoio é hora de fazer a entrevista com a personagem. Orientada a ficar na posição que o equipamento de iluminação foi instalado, eu orientei que Kamila esquecesse que a câmera estava ali. Pedi que ela olhasse para mim, pois o cinegrafista iria se encarregar de pegar o melhor ângulo.

Chegou a hora de fazer as perguntas certas para que as respostas fossem uzadas na matéria. Contei: 3, 2, 1 e disparei a primeira: Que tipo de doença tinha a cachorra? É importante que sejam feitas poucas perguntas, afinal, as informações preliminares foram apuradas pelo produtor e enquanto eram feitas as imagens de
apoio, o reporter cheque todas os dados e pergunte algo mais, algo que o produtor não teve a chance de ver e que o reporter pode ver e tem a obrigação de observar.

O reporter não deve ficar amarrado aos dados da pauta. É claro que ela ajuda muito mas, muitas vezes, nem tudo o que está na pauta acontece no local da gravação. Muitas vezes acontece uma “virada de pauta”, ou seja, o foco da pauta é um e, chegando no lugar de gravar o reporter identifica outro assunto mais interessante.
Quando isso acontece, imediatamente o reporter deve comunicar o responsavel imediato, o chefe de reportagem e os produtores.

Toda a produção do jornal e a equipe técnica deve caminhar em perfeita sintonia. Tudo o que é mudado ou alterado deve ser do conhecimento de todos. A necessidade de gravar poucas perguntas e poucas respostas, se dá a falta de tempo na edição da matéria. Isso não é uma regra mas, geralmente as ilhas de edição dos jornais e produtoras são sempre tumultuadas e os editores não dispõe de tempo para ficar assistindo ou procurando uma simples declaração do entrevistado
que foi dada em meio de dez perguntas. Nesse dia foram gravadas no máximo cinco perguntas pois o perfil da matéria era de uma matéria especial, mais extensa.

Em seguida gravamos com mais uma personagem, Teresa Contesine, que é dona de um cachorro que ficou tetraplégico e foi tratado e curado pela medicina alternativa. O procediemento foi o mesmo: apuração no local, observação, captura de imagens de apoio e entrevista.

Na casa de Teresa, ainda gravamos com o médico veterinário André Vilella. Ele demonstrou como foi o processo de recuperação do cachorro e deu exemplo de uma sessão de acupuntura. Nesse momento, dicuti com a equipe, que chegou a um consenso de utilizar um microfone lapela no médico. O médico precisava de mobilidade para fazer a sessão. Enquanto ele aplicava as agulhas no “Bambo”, eu ia fazendo as perguntas e anotando os detalhes para facilitar a contrução da reportagem.

É importante frisar, que durante essa entrevista, foi necessário uma direção por parte do cinegrafista que orientava o entrevistado a fazer movimentos lentos e as vezes até repeti-los para que as imagens fossem feitas com perfeição. Afinal, televisão é imagem e as imagnes precisam ser de qualidade.

Saimos da casa de Teresa, tinhamos outras entrevistas as 11 da manhã. Fomos ao Jockey Club, onde entrevistariamos mais uma vez o veterinário André Vilela, que mostraria o método em animais de grande porte, entrevistamos tambem a dona de um cavalo atleta e o instrutor de equitação.

A matéria começou a criar forma. Tinhamos exemplos que deram certo com animais de pequeno e grande porte. Problemas diferentes em cada tipo de animal e ricas sonoras como a de Teresa que afirmou, que a acupuntura deu certo pra ela e “tinho certeza que iria dar certo para o cachorro também”.

De posse de declarações de todos os personagens, chegou a hora de fazer a passagem da matéria. É nessa hora que o reporter aparece mas, essa parte da matéria não serve apenas para o reporter botar a cara na televisão. Todos os movimentos, todas as declarações e off´s devem ter uma justificativa e no caso da passagem não é diferente.

Eu, fiz uma passagem que explica a diferença do tratamento em animais de grande porte e pequeno porte. Utilizei uma técnica em que a passagem foi feita seguida de uma pergunta para o entrevistado. Utilizei também uma frase popular e corri o risco de ter minha passagem cortada pela edição já que frases ou termos populares não são recomendados em textos jornalisticos. Contudo, apostei na minha ideia e fui elogiado pela criatividade. O texto da passagem dizia o seguinte:

“Nós já vimos que acupuntura “é bom pra cachorro”. Mas, será que essa técnica milenar, funciona em animais de grande porte como em cavalos? Dá certo doutor?”

A passagem foi a ultima coisa que fiz durante a fase de captura de imagens. De posse das informações apuradas, todas as anotações e todas as imagens, é hora de conferir o material. Nem sempre há tempo para fazer esse tipo de serviço. Muitas vezes o reporter precisa chegar na redação já com o off pronto para ser gravado. Mas, como se tratava de uma matéria especial fui fazer a decupagem do material.

A decupagem é a fase em que o reporter e o editor assistem todo o conteudo das gravações. Selecionam e anotam o Time Code, que é o tempo em que determinada parte da entrevista está na fita de imagens. Isso facilita muito para o editor que, assim que recebe o roteiro de edição do reporter, todas as informações da estrutura da matéria estão contidas nele, principalmente o TC.

Enquanto assistia as imagens ia anotando as sonoras que seriam utilizadas na matéria para a elaboração do texto em off.
A construção do texto de televisão é considerado a pior parte ou a mais difícil pela maioria dos jornalistas. Existe a necessidade de tomor cuidado com a forma de linguagem. O texto para televisão deve ser curto e muito bem pontuado. Jamais deve ser utilizado termos complexos e sofisticados. É preciso utilizar uma linguagem simples e coloquial sem que o texto fique pobre. Outra coisa fundamental, e esta ai a importancia de fazer uma boa decupagem, é tomar cuidado para não dizer em off a mesma coisa que as imagens estão dizendo. Isso é redundância. É preciso que as palavras e a narração da matéria, complemente a mensagem que as imagens estão passando para o telespectador.

Uma rica apuração, conhecimento sobre o foco da matéria e uma dose de criatividade, vão fazer com que a reportagem televisiva seja assistida e compreendida por todos.

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