Guia do Foca

1 de dezembro de 2009

Uma brincadeira que deu certo. Conheça a história dos irmãos Binatti

Filed under: Sem categoria — jorgecardoso @ 11:04

Essa matéria foi uma delícia para ser feita. Primeiro porque eu adoro música e depois os personagens são riquíssimos de conteúdo.

Queria fazer algo diferente e para contar a história dos irmãos Binatti, utilizei a técnica “Loc. On”, ou seja locução ligada, ou algo parecido.

Para simplificar, o que eu fiz: pluguei um microfone em mim e outro no entrevistado, com a câmera ligada e registrando tudo, começamos a conversar. Desta forma ficou tudo mais descontraído, mais gostoso de assistir. O assunto pedia algo mais leve, menos formal e foi assim eu fiz.

Na fase de edição, acabei colocando algumas falas em off, só para dar mais rítmo na locução.

A matéria ficou bem interessante, e foi um sucesso a audiência registrada no dia da exibição.

Rodrigo Valério.

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20 de novembro de 2009

Celeiro do Esporte

Filed under: Sem categoria — jorgecardoso @ 14:30

Olá focas.

Essa matéria feito por mim, Jorge Cardoso, foi bem legal. A pauta saiu depois de ler uma nota “perdida” na Folha de S. Paulo, no caderno de Esportes. Lá dizia que Rio Preto tinha sido escolhida para abrigar um dos Centros de Excelência do Estado, uma espécie de aglomerado esportivo.

Depois de ler, comecei a planejar minha pauta. O meu editor Bruno Gilliard me instruiu e eu comecei a me organizar e planejar como seriam minha matéria.

A primeira coisa que fiz foi traçar duas metas: primeiro, conferir no site do governo paulista se isso era verdade. É uma fonte oficial. Depois, eu iria ligar para as minhas fontes pessoais, ligadas à Secretaria de Esportes de Rio Preto.

Nos sites do governo não tinha nada. As fontes também não atendiam – ou porque estavam em reunião, ou porque estavam fora. Resolvi então ligar para o Centro de Excelência. Por incrível que pareça, lá ninguém sabia de nada. Falar com o secretário estadual era impossível.

O plano B estava colocado às portas. Liguei para a Folha de S. Paulo e falei com o próprio jornalista – José Eduardo Martins. A conversa, segundo ele, tinha chegado através do seu editor, que não estava naquele dia.

Era quase final de noite, eu com o abre de página pelado. Foi ai que consegui falar com Claudinei Vaz de Lima, treinador de atletismo da secretaria de esportes. Em conversa por telefone, ele foi super simpático e me explicou todos os detalhes. Tinhamos pé para um abre maior, mas como o espaço era reduzido, optamos por dar uma matéria estilo “agenda”.

Minha abordagem com Claudinei foi muito informal, temática (porque tinhamos um tema específico para saber) e ocasional (porque nada foi planejado).

Com as informações anotadas em um caderno, comecei a redigir a matéria. Já no lide e sub-lide eu deixei claro o que era o Centro de Excelência e que a cidade iria ganhar. Depois, voltei com explicações do treinador e mais informações sobre o Centro.

Celeiro do Esporte

Medicina alternativa

Filed under: Sem categoria — jorgecardoso @ 13:45

Olá focas!

Vou mostrar para vocês uma entrevista que eu, Rodrigo Valério, fiz quando estava trabalhando no Portal Rural, um programa que ia ao ar todos os domingos, às 10h30, pela Record News.

De posse de todas as informações contidas na pauta sobre acupuntura em animais e um breve histórico dos personagens a ser entrevistados nossa equipe saiu a campo. A primeira entrevista estava marcada para as 8 horas da manhã e o horário combinado deve ser cumprido a risca. É uma forma de conquistar a confiança do entrevistado e demonstrar comprometimento com o trabalho a ser desenvolvido. É claro que os imprevistos acontecem e por conta disso a pauta deve ser completa, constando além de todos os endereços e pontos de referência, todos os telefones dos personagens para que em algum eventual atraso, a equipe de uma satisfação e tranquilize o entrevistado.

Nesse dia nossa equipe foi pontual. Antes de chegarmos ao local da entrevista, é importante que toda a equipe saiba o que será feito. Eramos três: reporter, cinegrafista e assistente. Todos os membros receberam uma cópia da pauta. Contudo, faço questão de ler em voz alta a pauta na integra durante a viagem para que não hajam dúvidas. Traçado o planejamento técnico para a realização da matéria, chegamos à casa da estundate Kamila Barcelar, que já recorreu a acupuntura em animais.
Enquanto eu conversava com a dona da cachorrinha, com o objetivo de saber mais sobre o animal o tipo de problema que ele teve e como foi a descoberta da acupuntura em animais tudo isso em uma conversa em off, ou seja sem que o microfone estivesse ligado, o cinegrafista se encarregava de capturar imagens que chamamos de “imagens de apoio”.

São as imagens do entrevistado enquanto conversa, gesticula, mostra algum detalhe, enquanto se movimenta e nesse caso, enquanto brincava com o animal. Essas imagens servirão para cobrir os off´s da reportagem.

Feitas as imagens de apoio é hora de fazer a entrevista com a personagem. Orientada a ficar na posição que o equipamento de iluminação foi instalado, eu orientei que Kamila esquecesse que a câmera estava ali. Pedi que ela olhasse para mim, pois o cinegrafista iria se encarregar de pegar o melhor ângulo.

Chegou a hora de fazer as perguntas certas para que as respostas fossem uzadas na matéria. Contei: 3, 2, 1 e disparei a primeira: Que tipo de doença tinha a cachorra? É importante que sejam feitas poucas perguntas, afinal, as informações preliminares foram apuradas pelo produtor e enquanto eram feitas as imagens de
apoio, o reporter cheque todas os dados e pergunte algo mais, algo que o produtor não teve a chance de ver e que o reporter pode ver e tem a obrigação de observar.

O reporter não deve ficar amarrado aos dados da pauta. É claro que ela ajuda muito mas, muitas vezes, nem tudo o que está na pauta acontece no local da gravação. Muitas vezes acontece uma “virada de pauta”, ou seja, o foco da pauta é um e, chegando no lugar de gravar o reporter identifica outro assunto mais interessante.
Quando isso acontece, imediatamente o reporter deve comunicar o responsavel imediato, o chefe de reportagem e os produtores.

Toda a produção do jornal e a equipe técnica deve caminhar em perfeita sintonia. Tudo o que é mudado ou alterado deve ser do conhecimento de todos. A necessidade de gravar poucas perguntas e poucas respostas, se dá a falta de tempo na edição da matéria. Isso não é uma regra mas, geralmente as ilhas de edição dos jornais e produtoras são sempre tumultuadas e os editores não dispõe de tempo para ficar assistindo ou procurando uma simples declaração do entrevistado
que foi dada em meio de dez perguntas. Nesse dia foram gravadas no máximo cinco perguntas pois o perfil da matéria era de uma matéria especial, mais extensa.

Em seguida gravamos com mais uma personagem, Teresa Contesine, que é dona de um cachorro que ficou tetraplégico e foi tratado e curado pela medicina alternativa. O procediemento foi o mesmo: apuração no local, observação, captura de imagens de apoio e entrevista.

Na casa de Teresa, ainda gravamos com o médico veterinário André Vilella. Ele demonstrou como foi o processo de recuperação do cachorro e deu exemplo de uma sessão de acupuntura. Nesse momento, dicuti com a equipe, que chegou a um consenso de utilizar um microfone lapela no médico. O médico precisava de mobilidade para fazer a sessão. Enquanto ele aplicava as agulhas no “Bambo”, eu ia fazendo as perguntas e anotando os detalhes para facilitar a contrução da reportagem.

É importante frisar, que durante essa entrevista, foi necessário uma direção por parte do cinegrafista que orientava o entrevistado a fazer movimentos lentos e as vezes até repeti-los para que as imagens fossem feitas com perfeição. Afinal, televisão é imagem e as imagnes precisam ser de qualidade.

Saimos da casa de Teresa, tinhamos outras entrevistas as 11 da manhã. Fomos ao Jockey Club, onde entrevistariamos mais uma vez o veterinário André Vilela, que mostraria o método em animais de grande porte, entrevistamos tambem a dona de um cavalo atleta e o instrutor de equitação.

A matéria começou a criar forma. Tinhamos exemplos que deram certo com animais de pequeno e grande porte. Problemas diferentes em cada tipo de animal e ricas sonoras como a de Teresa que afirmou, que a acupuntura deu certo pra ela e “tinho certeza que iria dar certo para o cachorro também”.

De posse de declarações de todos os personagens, chegou a hora de fazer a passagem da matéria. É nessa hora que o reporter aparece mas, essa parte da matéria não serve apenas para o reporter botar a cara na televisão. Todos os movimentos, todas as declarações e off´s devem ter uma justificativa e no caso da passagem não é diferente.

Eu, fiz uma passagem que explica a diferença do tratamento em animais de grande porte e pequeno porte. Utilizei uma técnica em que a passagem foi feita seguida de uma pergunta para o entrevistado. Utilizei também uma frase popular e corri o risco de ter minha passagem cortada pela edição já que frases ou termos populares não são recomendados em textos jornalisticos. Contudo, apostei na minha ideia e fui elogiado pela criatividade. O texto da passagem dizia o seguinte:

“Nós já vimos que acupuntura “é bom pra cachorro”. Mas, será que essa técnica milenar, funciona em animais de grande porte como em cavalos? Dá certo doutor?”

A passagem foi a ultima coisa que fiz durante a fase de captura de imagens. De posse das informações apuradas, todas as anotações e todas as imagens, é hora de conferir o material. Nem sempre há tempo para fazer esse tipo de serviço. Muitas vezes o reporter precisa chegar na redação já com o off pronto para ser gravado. Mas, como se tratava de uma matéria especial fui fazer a decupagem do material.

A decupagem é a fase em que o reporter e o editor assistem todo o conteudo das gravações. Selecionam e anotam o Time Code, que é o tempo em que determinada parte da entrevista está na fita de imagens. Isso facilita muito para o editor que, assim que recebe o roteiro de edição do reporter, todas as informações da estrutura da matéria estão contidas nele, principalmente o TC.

Enquanto assistia as imagens ia anotando as sonoras que seriam utilizadas na matéria para a elaboração do texto em off.
A construção do texto de televisão é considerado a pior parte ou a mais difícil pela maioria dos jornalistas. Existe a necessidade de tomor cuidado com a forma de linguagem. O texto para televisão deve ser curto e muito bem pontuado. Jamais deve ser utilizado termos complexos e sofisticados. É preciso utilizar uma linguagem simples e coloquial sem que o texto fique pobre. Outra coisa fundamental, e esta ai a importancia de fazer uma boa decupagem, é tomar cuidado para não dizer em off a mesma coisa que as imagens estão dizendo. Isso é redundância. É preciso que as palavras e a narração da matéria, complemente a mensagem que as imagens estão passando para o telespectador.

Uma rica apuração, conhecimento sobre o foco da matéria e uma dose de criatividade, vão fazer com que a reportagem televisiva seja assistida e compreendida por todos.

19 de novembro de 2009

Dossiê Mar de Lama

Filed under: Sem categoria — jorgecardoso @ 19:30

Olá Focas!

Novamente, no mesmo dia em que falei com o jornalista Julio Cezar Garcia, conversamos sobre outra matéria que ele fez, publicada no jornal Movimento. Nela, o jornalista fez um dossiê apontando ao Governo Militar que toda a imprensa apontava corrupção na capital. O governo dizia na época, que apenas a imprensa nanica (pequenos jornais) apontavam corrupção. Os grandes veículos não. Para ajudar a salva o jornal de um processo, Julio organizou um dossiê com recortes de jornais e outras provas.

Abordei Julio da mesma forma que a outra. Foi muito natural nossa conversa. Ocasional e testemunhal, também. Fomos conversando e ele me mostrou fotos e arquivos da época.

Vejam

Quanto à matéria sobre o dossiê, como foi a reação do governo?
Em outubro de 1978, o jornal Movimento tinha publicado uma reportagem em que relacionava 16 casos de corrupção no governo do general presidente Ernesto Geisel.
O temido Conselho de Segurança Nacional (CSN) processou o jornal sob argumento de que só a imprensa nanica enxergava corrupção no governo e que a “imprensa sadia” não falava nisso. Imprensa nanica era uma expressão criada pela ditadura porque os jornais alternativos, de oposição, eram tablóides.

Como era sofrer uma perseguição, um processo, como se diz, estar com a ditadura “na cola”?
Ser processado pelo CSN era ser condenado. E ser condenado na ditadura significava ser fechado. O Conselho de Segurança Nacional era militar, seus processos eram julgados por juízes militares indicados pelos generais ditadores. Não tinha como ganhar processo contra eles.

Você tinha documentos que consolidavam sua matéria?
Eu tinha um arquivo muito bom, com recortes dos jornais Estadão, Folha, Jornal do Brasil e O Globo sobre alguns assuntos que me interessavam: corrupção, conflitos sociais rurais, conflitos urbanos, movimentos populares, etc.
Eu tinha quatro pastas com centenas de recortes só de matérias sobre corrupção na ditadura militar.

Foi com esse capricho de arquivar as notícias que você montou então o dossiê? Como foi a publicação?
Montei o dossiê com todos os casos de corrupção publicados em pequenas notas, meio escondidos nos grandes jornais. E fizemos um caderno que foi publicado como suplemento especial.

Como foi a vendagem de jornais com essa publicação? Para o que serviu além de informar o leitor?
O jornal atingiu sua maior vendagem nessa edição. E o suplemento foi usado como peça de defesa do jornal n CSN. Como o CSN tinha afirmado que só a imprensa nanica via corrupção no governo e eu mostrei notícias dos grandes jornais, não teve como condenar o Movimento. O jornal foi absolvido e pôde continuar circulando.

Houve reconhecimento nacional?
Para minha enorme alegria, no início da década de 1990, o professor de jornalismo Bernardo Kucinski, da Escola de Comunicações e Artes (ECA), publicou sua tese de doutorado sobre a imprensa alternativa no período da ditadura militar. O livro se chama “Jornalistas e Revolucionários – Nos Tempos da Imprensa Alternativa”. No livro, Kucinski destaca o dossiê da corrupção que eu produzi para o Movimento e que acabou por livrar o jornal da condenação.

Dez mandamentos sobre fonte

Filed under: Sem categoria — jorgecardoso @ 19:15

Olá focas!

 A fonte de qualquer informação nada mais é do que uma subjetiva interpretação sobre um fato. Sua visão sobre determinado acontecimento está mediada pelos óculos de sua cultura, sua linguagem, seus preconceitos. E, dependendo do grau de miopia, a lente de aumento pode acabar direcionada para seus próprios interesses. (PENA, 2005, p. 24)

a) Da responsabilidade – O jornalista é o grande instrumento para a nobre função de democratizar a informação. E a boa informação requer responsabilidade do profissional de imprensa e da fonte de informação.

b) Da reciprocidade – Quanto mais o jornalista se mostra isento e competente, mais ele ganha a confiança da fonte; E quanto mais a fonte se mostra isenta e competente, mais ela ganha a confiança do jornalista.

c) Do saber – Quanto mais complexo for o assunto, mais o jornalista deve se dedicar ao tema e mais paciente e didática deve se comportar sua fonte.

d) Do bom entendimento – Tanto quanto a fonte de informação, o jornalista deve usar linguagem adequada, objetiva e clara.

e) Do enquadramento – O jornalista e a fonte de informação devem compreender as limitações de tempo e de espaço dos meios de comunicação.

f) Da humildade – Nem o jornalista em relação à fonte e nem a fonte em relação ao jornalista devem assumir atitudes de superioridade entre si e muito menos em relação ao leitor e espectador.

g) Da excelência – O bom profissional de imprensa e a boa fonte buscam sempre material de suporte técnico como pesquisas, clipping, sites e artigos para a construção de uma reportagem perfeita.

h) Do diga-me com quem andas… – Um jornalista isento, íntegro e criterioso terá sempre fontes também isentas, íntegras e criteriosas.

i) Da abrangência – A diversidade de opinião e de fontes assegura a pluralidade da informação que é fundamental para a qualidade final da reportagem.

j) Da Cidadania – O bom profissional de imprensa e a boa fonte devem seguir e obedecer sempre as duas linhas mestras que norteiam toda e qualquer atividade humana: a ética e a estética de suas ações.

O que é notícia?

Filed under: Sem categoria — jorgecardoso @ 18:48

Olá focas!

Para quem quer um resumão do que é a notícia, está ai. Muito útil para os momentos das provas e como guia rápido de estudo.

O que é notícia?

A notícia é o pilar de existência do jornalismo e é baseada no relato de um fato ou acontecimento alimentado pela capacidade intelectual, cultural e criativa do autor.

Notícia é a parte da comunicação que consegue nos informar de todos os acontecimentos e fatos em andamento. E é por meio da notícia que temos acesso a temas, imagens, personagens, personalidades, mudanças e as tendências do mundo exterior.

No livro 1000 perguntas – Jornalismo, o autor Felipe Pena destaca a definição de notícia utilizada por Luiz Amaral no livro Matéria de primeira página: “… A notícia é a matéria-prima do jornalismo” (PENA, 2005, p. 28). Ele cita a revista americana Collier´s Weekley, que define a notícia como “tudo o que o público necessita saber, tudo o que o público deseja falar”, acrescentando que ela é “a inteligência exata e oportuna dos acontecimentos, descobertas, opiniões e assuntos de todas as categorias que interessam aos leitores”. (PENA, 2005, p.29-30)

Para o jornalista Ricardo Noblat, autor do livro A arte de fazer um jornal diário, “[…] notícia é o relato mais curto de um fato”. (NOBLAT, Ricardo, 2003, p.130). Escolher os assuntos e decidir o que é notícia é o grande desafio. Existe um número grande de assuntos que chegam até as redações de todo mundo e apenas uma parcela muito pequena é publicada ou veiculada. E é nessa hora que as “apostas” de uma boa reportagem acontecem. É nessa hora que o chamado “faro” ou feeling jornalístico deve estar aguçado.

Toda notícia deve reunir interesse, importância, atualidade e veracidade. Notícia é a base de qualquer matéria. Ela é a obra prima derivada dos acontecimentos do cotidiano. Ela é organizada através de uma pauta.

Tipos de Entrevista

Filed under: Sem categoria — jorgecardoso @ 18:44

Olá amigos focas!

Este é um dos tópicos do TCC meu e de meu amigo Rodrigo. Aqui, há um pouco do que são as formas de entrevista. Muito útil para nosso dia-a-dia.

Tipos de entrevista
Do ponto de vista dos objetivos:
a) Ritual: o ponto de interesse está mais centrado na exposição do entrevistado, sua voz, sua imagem, do que no que ele tem a dizer. Declarações são de certa forma irrelevantes e esperadas, tem uma dimensão meramente simbólica. Ex. jogadores ou técnicos após uma competição, celebridades, cantores, artistas falando sobre seu trabalho.

b) Temática: aborda um assunto, sobre o qual espera-se que o entrevistado tenha condições e autoridade para discorrer. Consiste na exposição de versões ou interpretações de acontecimentos. Contribui para compreensão de um problema.
Ex. economista falando sobre a queda do dólar; ambientalista falando do relatório sobre aquecimento global.

c) Testemunhal: é o relato do entrevistado sobre algo de que ele participou ou a que assistiu. Visa reconstituir o evento sob ponto de vista particular do entrevistado. Exemplo: relato dos jornalistas Sérgio D’Ávila e Juca Varela sobre cobertura da guerra do Iraque.

d) Em profundidade: objetivo não é um tema ou acontecimento em particular, mas a figura do entrevistado, sua representação de mundo, o que pensam e suas impressões sobre a área em que atuam. Visa traçar um perfil a partir destas impressões. Ex. Marília Gabriela, Roberto D’Ávila.

Do ponto de vista da circunstancias em que é realizada:

a) Ocasional: não é programada. Ocorre em geral com personalidades e autoridades abordadas durante um evento, na rua, sem que o encontro fosse agendado antes.

b) Confronto: o repórter assume um papel de inquisidor, despejando sobre o entrevistado acusações e contra-argumentando, com alguma veemência, baseado em informações provenientes de alguma investigação policial. Ex. autoridades abordadas após a divulgação de seus nomes pela Operação Navalha, da PF.

c) Coletiva: o entrevistado é submetido a perguntas de vários repórteres de vários veículos. Pode ser ocasional ou marcada previamente. Neste caso é precedida em geral de um briefing, um resumo da assessoria do entrevistado sobre o assunto a ser tratado na coletiva. O comando é do entrevistado, é ele quem controla o tempo e os assuntos a serem abordados.

d) Dialogal: é a entrevista em sua plenitude, marcada com antecedência para acontecer em ambiente controlado, em geral sentados, e sem tempo marcado. Tem caráter de um diálogo.

Cirurgia para o reimplante dura seis horas

Filed under: Sem categoria — jorgecardoso @ 18:27

Eu estava pensando em qual profissional eu abordaria para termos um conteúdo dele para o nosso TCC. Dai me lembrei do Alexandre Gama, jornalista do Diário da Região. Eu não o conhecia pessoalmente, nem nunca tinha tido algum contato.

Inicialmente, mandei um e-mail para ele explicando sobre meu TCC, que eu e Jorge faríamos algo dizendo desde a pauta até a matéria pronta, passando pela entrevista, que era o foco do trabalho. Ele topou.

Peguei o telefone na mesma hora, e entrei em contato com ele. Foi assim que ele me contou dessa matéria, que tinha ganho um prêmio Esso de Jornalismo. Era tudo o que eu queria. Pedi então que ele me mandasse a matéria (no caso ele me mandou o link do site do jornal). Li, reli e então, voltei a falar com ele pelo telefone.

Fiz algumas perguntas, conversamos como foi a abordagem dele para conseguir a matéria e então, passei tudo para o papel. Foi uma forma simples e rápida de termos esse conteúdo. Mas, antes de organizar por escrito, a conversa foi bem informal, ocasional e  testemunhal.

Informal foi porque não tivemos agendamento de entrevista. Apenas por telefone e e-mail. Ocasional, porque nada foi planejado. Eu o abordei no local de trabalho dele. E testmunhal, porque ele me contou como foi o processo dele desde a pauta até a matéria.

Segue o link para a matéria

http://www.diarioweb.com.br/saude/corpo_noticia.asp?idCategoria=7&idNoticia=34879

 

E minha entrevista com ele

Quando surgiu o interesse em fazer essa matéria e como ela chegou à produção?
A reportagem foi combinada pelo então editor-chefe do Diário com o pessoal do HB. O combinado era que acompanharíamos o primeiro transplante que aparecesse. Assim que tivessem a informação de um órgão para Rio Preto eles nos avisariam. Foi o que aconteceu. Fui escalado para a reportagem meia hora antes do avião decolar. Nem sabia o que iria acontecer

Como foi o contato com a direção do hospital para que a equipe jornalística acompanhasse o caso?
O editor-chefe do jornal entrou em contato com o Hospital de Base e combinou como seria a reportagem.

Que tipo de equipamento vocês usaram durante a apuração ?
Eu usei um bloquinho e uma caneta, só, enquanto o fotógrafo tinha a máquina.

Quantas fontes foram necessárias para conseguir chegar ao caso?
 Apenas uma: o coordenador de transplantes do Hospital de Base.

Quais as fontes mais importantes e por quê? E como foi o relacionamento com essas fontes?
Os médicos, porque eles fizeram todo o procedimento. A relação foi a melhor possível. Eles nos atenderam e nos agüentaram por mais de 12 horas fazendo perguntas e nos explicando todos os procedimentos.

 E vocês puderam entrar no centro cirúrgico e questionaram durante a cirurgia?
Sim. Tudo foi questionado e também observado.

Quais foram as recomendações dos médicos?
 
Não fumar dentro do centro cirúrgico nem encostar em nenhum material, já que tudo é desinfetado e esterilizado para evitar infecções aos transplantados.

Em que momento entrevistaram alguém relacionado ao paciente?
A mãe do transplantado foi entrevistada no momento da cirurgia.

Notei que na matéria quase não eram utilizadas declarações dos médicos e envolvidos por quê?
Vai do estilo de cada jornalista e da matéria que ele está escrevendo. Não gosto muito de ficar reproduzindo falas, a não ser que sejam muito fortes e justifiquem as aspas. Prefiro o estilo narrativo em reportagens de fôlego.

Hoje, com mais alguns anos de profissão e experiência, vocês fariam algo diferente?
Acho que não. Depende do momento e das circunstâncias.

Como foi o processo de montagem da matéria?
Normal, como todas. Sentar e escrever.
 
Ficaram muitos detalhes sem serem contados em função da falta de espaço?
 Acho que não. Claro que se houvesse espaços, mais detalhes ou informações poderiam ser acrescentadas, mas nada de importante ficou de fora. É preciso saber se adaptar ao espaço. Resumir as informações, se necessário.

Quanto tempo levou para ser concluída a matéria desde a aceitação da pauta?
Um dia. Viajamos para Sorocaba no dia 26 de agosto de 2003 por volta das 15 horas. Chegamos a Rio Preto para o implante à meia-noite. A cirurgia de implante terminou no dia 27 às 6horas da manhã. Cheguei à redação às 15 horas do dia 27 e escrevi a reportagem, que foi publicada na edição do dia 28.
 
Desde a apuração, os repórteres tinham a vontade de concorrer ao premio com a matéria?
Não pensava nisso. Inscrevi o material sem qualquer pretensão. Foi realmente uma surpresa.

Em todo o processo de construção da matéria, qual na sua opinião é a fase mais importante?
Numa apuração como essa, em que o objetivo da reportagem era descrever um procedimento passo a passo, tudo é importante. Todos os detalhes contam e merecem ser registrados. Por isso, a observação foi fundamental. Senão, seria mais uma matéria comum sobre transplante de órgãos. O que deixou a reportagem interessante e diferente foram os detalhes e o passo a passo do procedimento descritos no texto e nas fotografias.

 

Esquadrão da Morte

Filed under: Sem categoria — jorgecardoso @ 17:56

Fala com Julio Cezar Garcia é uma aula de jornalismo. Durante uma conversa minha e dele na redação do jornal BOM DIA de Rio Preto, ele me explicou, dentre várias coisas, como foi fazer uma matéria para o jornal Movimento, de São Paulo, sobre um grupo de extermínio em Vitória, no Espírito Santo.

Atentei-me para o caso e, com papel e caneta, e uma conversa informal, fui anotando. Antes de anotar, e questionar Julio, eu deixei que ele contasse a história como melhor ele achava e lembrava. Depois, de forma informal, fomos conversando e montando as perguntas. Nada planejado.

Matéria publicada no jornal Movimento

Como lhe foi passada a pauta sobre o caso de Vitória, cuja matéria saiu como Testemunha de Acusação?
A pauta me foi passada por um colega jornalista de Vitória (ES) que não conseguia publicar nos dois jornais de lá (A Tribuna e A Gazeta) as denúncias sobre as ações do esquadrão da morte.

Você trabalhava no jornal Movimento, fazia algum freelancer para eles, ou tinha apenas o conhecimento do jornal, na época da Ditadura?
Eu trabalhava na Editora Abril, em São Paulo, e estava de férias. Levei a pauta ao editor de Veja, Augusto Nunes, mas ele disse que a revista não conseguiria publicar, por causa da censura prévia que havia nas redações. Sugeriu que eu fosse ao Movimento. O Movimento era um jornal semanal da chamada imprensa alternativa, isto é, que não pertencia à chamada grande imprensa (Estadão, Folha, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, etc), que se alinhava com a ditadura.

Quando você apresentou a pauta ao jornal, qual foi a reação do editor?
O Movimento topou a pauta. Como já disse, eu estava em férias e queria conhecer Vitória. O Movimento ofereceu pagar minha gasolina e minha estada em hotéis de Vitória, em troca da reportagem.

Qual a imagem e as notícias que chegavam para vocês do Esquadrão da Morte?
O esquadrão da morte de Vitória já havia feito várias vítimas inocentes. Era chefiado pelo superintendente de Segurança Pública do Estado do Espírito Santo, José Dias Lopes, irmão do ex-governador Cristiano Dias Lopes. Na época, os governadores eram indicados pelos presidentes militares (Castello Branco, Costa e Silva, Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo).
Cristiano foi governador em um período marcado por escândalos de corrupção. Na época, qualquer adversário a seu governo era ameaçado e perseguido pela polícia. Ele utilizava até o esquadrão da morte de seu irmão para aterrorizar adversários nas vilas da Capital.

Como fez para consolidar a pauta? As pessoas sabiam que você estava indo cobrir algo tão perigoso assim?
Chamei um amigo para se revezar ao volante comigo e fomos. Meu amigo era muito medroso. Ele sabia que naquela época os jornalistas eram perseguidos, alguns tinham sido presos, torturados ou mortos. Ele perguntou o que eu ia fazer lá. Respondi que eram reportagens de turismo. Ele topou. Se soubesse qual era a verdadeira pauta, não teria ido.
Quando chegamos à casa do advogado Ewerton Montenegro Guimarães, que estava publicando um livro com as denúncias contra o esquadrão da morte, meu amigo quase desmaiou. Só me lembro dele, afundado no sofá da sala do advogado, resmungando:
– É turismo, desgraçado? Isso é turismo? (risos)

E depois de explicar para ele, consolidar a matéria, como foi a aceitação, tanto por parte do jornal, que deveria sofrer também com a censura, como dos leitores?
O jornal Movimento também sofria uma censura raivosa da ditadura. Mas a minha reportagem, um pingue-pongue com o Ewerton Montenegro, saiu na íntegra. Ficamos muito felizes e a repercussão da matéria foi grande na época. O editor do Movimento, Raymundo Pereira, ligou para a sucursal de Brasília, e perguntou ao chefe da sucursal, Teodomiro Braga, o que havia acontecido para que a censura deixasse sair a matéria.
Ele foi pesquisar e voltou com a informação. Cristiano Dias Lopes tinha caído em desgraça com o ditador de plantão, Ernesto Geisel. Cristiano tinha peitado Geisel porque queria ser novamente governador. E Geisel tinha preferência por outro nome. Cristiano chegou a afoirmar a amigos de Geisel:
– Se eu não for candidato, conto tudo o que sei de podre dos governos militares. Ponho fogo no Espírito Santo e no Brasil com o que sei.

E a matéria foi além do simples ato de informar?
Minha reportagem desmoralizou Cristiano e acabou usada pela própria ditadura para inviabilizar a tentativa dele de ser governador de novo.

Olá, mundo!

Filed under: Sem categoria — jorgecardoso @ 16:44

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